terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Comentários sobre Mário Quintana
Ele se proclama de poeta. E é assim classificado pela maioria dos que a ele se referem.
Embora eu reconheça que ele é uma pessoa dotada de uma rara forma de inteligência, não bem um QI excepcional, mas daquela intuição que lhe permite integrar-se de imediato com as coisas e as pessoas.
Mas de "poeta" no sentido lírico, assim como para cantar as coisas do amor, etc ... , isto certamente ele não é!! Inclusive ninguém lhe conheceu uma paixão amorosa por alguma mulher (fora sua paixão "platônica" por Bruna Lombardi), nem nunca se casou, nem teve filhos ou família.
Nem podemos, a rigor, dizer que sua poesia seja evocativa. Inclusive, é um péssimo rimador. Suas rimas são sempre demasiadamente trabalhadas, sem nenhuma espontaneidade e os seus versos não tem ritmo.
Não vi nada dele de grande folego, não sei de contos, novelas ou romances. Ele se especializou em epigramas, hai-kai e outras formas breves. Intensas de conteúdo, mas sempre muito breves.
Assim mesmo, seus escritos são sempre muitíssimos interessantes, cheios de verve, de ironia fina e de "humour".
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
As borboletas e o jardim de Mário Quintana
O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.
O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente… E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver..
Excertos escolhidos de Mário Quintana
De Baú de Espantos
Homens, sementes ocultas
Cujo sonho é germinar
(pg.29)
Toda a tristeza dos rios
É não poderem parar
(pg. 30)
Um dia não heverá ninguém dentre nós
Ninguém no mundo
Para lembrar que não sobrou nenhum!
(pg. 53)
Vêm todos caminhando na ponta dos pés
Alguém morreu? Não. É mais fundo o mistério ...
Chegam todos, agora, na ponta dos pés,
Para vê-lo dormir o primeiro soninho!
(pg. 64)
Ó Vida, e se nós dois
Vivêssemos juntos?
(pg. 110)
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Uma cantora de qualidade
Esbarrei, sem querer, em um video de Laura Fygi e fiquei surpreso com a qualidade desta cantora. Recomendo ouvirem no YouTube.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
La vie en rose
"il me dit des mots d´amour ...
et ça me fait quelque chose"
Palavras de amor. A maioria gosta. Como na música.
Mas o amor, de fato, não precisa de palavras.
A verdade é que o silêncio - e tambem a ausência e a distância que acarretam silêncio - não apagam o amor.
Pois que o amor precisa de sentimento e atitude.
Não de palavras.
Relatividade do tempo
Recentemente, participei de um pequeno simposio em que se discutiram aspectos filosóficos a respeito do Tempo. Se de fato existe como tal ou é apenas um produto de nossa mente.
Uma das coisas que ressaltou também, é a relatividade de sua percepção.
Por exemplo, como é possível (ou melhor, porquê), em 4 anos, sentir-se envelhecer de 40 anos?
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Como é bom ser acolhido
Atribuem ao papa Francisco :
"Como é bom ser acolhido com amor, generosidade e alegria"
Eu diria mais : como é bom ser acolhido com carinho. Com amizade. Com inteligência. Com elegância.
Enfim, como é bom ser, (porque não?), apenas e simplesmente acolhido.
Com o coração aberto e com a mente desprevenida.
E tambem, não nos esqueçamos :
Como é bom acolher.
Abraçar o outro, enriquecer com sua Presença, participar um pouco de sua Vida e de seu Amor.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Depressão ...
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"A culpa é das estrelas" de John Green.
"A depressão {aparece como} um dos efeitos colaterais {da doença} só que , na verdade ela não é um efeito colateral da {doença}. A DEPRESSÃO É UM EFEITO COLATERAL DE SE ESTAR MORRENDO."
Ou se se quiser expandir a coisa, um efeito colateral de estar ficando velho (que não deixa de se estar aproximando da morte).
Um livro interessante e bem escrito. Sobre dois adolescentes em fase terminal de câncer. Um verdadeiro estudo tanatológico, sem ser macabro ou tétrico. Os adolescentes, no livro, parecem bem mais maduros que sua idade cronológica.
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"A culpa é das estrelas" de John Green.
"A depressão {aparece como} um dos efeitos colaterais {da doença} só que , na verdade ela não é um efeito colateral da {doença}. A DEPRESSÃO É UM EFEITO COLATERAL DE SE ESTAR MORRENDO."
Ou se se quiser expandir a coisa, um efeito colateral de estar ficando velho (que não deixa de se estar aproximando da morte).
Um livro interessante e bem escrito. Sobre dois adolescentes em fase terminal de câncer. Um verdadeiro estudo tanatológico, sem ser macabro ou tétrico. Os adolescentes, no livro, parecem bem mais maduros que sua idade cronológica.
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O poder das mãos ....
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La femme sage - pg. 117
Christian Jacq
C´est ta main qui doit apprendre ... car elle seule possède la liberté de la création
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La femme sage - pg. 117
Christian Jacq
C´est ta main qui doit apprendre ... car elle seule possède la liberté de la création
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quinta-feira, 25 de julho de 2013
Não se preocupe, nada vai dar certo
.... Título de filme na TV
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Interessante postura.
Se aplica a política e ao amor!?
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terça-feira, 23 de julho de 2013
Onde você está?
Romance de Marc Lévy - pg. 187
...Não existe pior solidão do que se sente estando a dois
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quinta-feira, 11 de julho de 2013
Colhidos ao longo do caminho ....
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"Mar de Histórias (9)
Fugimos do silêncio, da paz (e) da solidão de que somos indignos (pg 33)
A descoberta foi fruto do acaso como sucede com todas as coisas importantes deste mundo.
Perguntou (finalmente) quando julgou que tinham tido entre si bastante silêncio
Homens de altas qualidades morais raramente chegam (a proeminência social) (pg 97)
É fácil, em verdade, a gente querer ser isto ou aquilo; mas trata-se de saber se podemos ser como desejamos (pg 131)
Não creio que tenha sido maltratada; simplesmente não era tratada de modo nenhum (pg 201)
Não é terrível pensar que deve haver no mundo criaturas que desejam imensamente amar e ser amadas, e que, no entanto, ninguém sequer pode tolerar? (pg 202)
A ignorância é condição necessária da felicidade humana (pg 146)
domingo, 7 de julho de 2013
Coincidências de leitura
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O protagonista principal em cada livro, Gus Waters no primeiro, Tariq no segundo, é um homem atraente (paixão da protagonista feminina ....) que tem uma característica incomum. Ambos perderam uma das pernas, um por câncer, outro pela explosão de uma mina.
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Costumo quase sempre ler, alternando, dois livros ao mesmo tempo.
Desta vez, "A Culpa é das Estrelas" (John Green) e "A Cidade do Sol" (Khaled Hosseini).
O protagonista principal em cada livro, Gus Waters no primeiro, Tariq no segundo, é um homem atraente (paixão da protagonista feminina ....) que tem uma característica incomum. Ambos perderam uma das pernas, um por câncer, outro pela explosão de uma mina.
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terça-feira, 25 de junho de 2013
Osho e a oclocracia
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Osho é sempre instigante. Nem sempre dá para aceitar suas teorias ou concordar com ele mas ele sempre fornece material para reflexão.
Em um dos seus livros, ele discorre sobre política.
Osho não gosta muito de política .... Ele diz que a maioria dos políticos ainda permanece ao nível instintivo.
E a este nível, "a política não passa de 'a força é o certo' {ou seja} : a lei da selva". "{O político instintivo} não acredita em nada a não ser em ser vitorioso. Sejam quais forem os meios para ser vitorioso, ele usará".
E termina o capítulo, dizendo "O que existe hoje como democracia, não é democracia : é oclocracia ...". Para quem não sabe, como eu também não sabia, oclocracia é o domínio da ralé.
O domínio da ralé e de seus "valores". A valoração da falta de cultura, da falta de instrução e da falta de preparo, o pedestal para o enriquecimento pessoal, não importando os meios para alcançá-lo.
Os valores esdrúxulos, a impunidade do crime "necessário" e da mentira deslavada, e do "me engana que eu gosto", a preponderância da bravata, a predominância do oportunismo sobre o planejamento, a supremacia da bajulação e da demagogia sobre o pensamento correto, etc ...
A História é um repositório impressionante de quantas vezes isto já aconteceu. E vai se repetindo em tudo quanto é lugar neste mundo.
Existe mesmo uma faceta da cultura, profundamente arraigada na humanidade, que prefere ignorar, frequentemente aceita ... e as vezes, até aplaude, tacitamente, a corrupção. É chocante!!! Como dizia um colega de universidade, ficar rico trabalhando, qualquer um consegue ... quero ver ficar rico sem trabalhar!!
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Post de 2007, bastante oportuno, nos dias de hoje, recuperado de outro blog,
Osho é sempre instigante. Nem sempre dá para aceitar suas teorias ou concordar com ele mas ele sempre fornece material para reflexão.
Em um dos seus livros, ele discorre sobre política.
Osho não gosta muito de política .... Ele diz que a maioria dos políticos ainda permanece ao nível instintivo.
E a este nível, "a política não passa de 'a força é o certo' {ou seja} : a lei da selva". "{O político instintivo} não acredita em nada a não ser em ser vitorioso. Sejam quais forem os meios para ser vitorioso, ele usará".
E termina o capítulo, dizendo "O que existe hoje como democracia, não é democracia : é oclocracia ...". Para quem não sabe, como eu também não sabia, oclocracia é o domínio da ralé.
O domínio da ralé e de seus "valores". A valoração da falta de cultura, da falta de instrução e da falta de preparo, o pedestal para o enriquecimento pessoal, não importando os meios para alcançá-lo.
Os valores esdrúxulos, a impunidade do crime "necessário" e da mentira deslavada, e do "me engana que eu gosto", a preponderância da bravata, a predominância do oportunismo sobre o planejamento, a supremacia da bajulação e da demagogia sobre o pensamento correto, etc ...
A História é um repositório impressionante de quantas vezes isto já aconteceu. E vai se repetindo em tudo quanto é lugar neste mundo.
Existe mesmo uma faceta da cultura, profundamente arraigada na humanidade, que prefere ignorar, frequentemente aceita ... e as vezes, até aplaude, tacitamente, a corrupção. É chocante!!! Como dizia um colega de universidade, ficar rico trabalhando, qualquer um consegue ... quero ver ficar rico sem trabalhar!!
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Prefácio impressionante ...
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"De um lado, {o tema} aparece como uma sobredeterminação das desrazões dos negócios imediatos e predatórios em relação ao tempo distinto da literatura ..."
Alguém pode me explicar o que isto pode eventualmente significar?
Peguei um livro de uma escritora - que eu não conhecia - e que é considerada uma das maiores escritoras em língua portuguesa. Do prefácio, preparado por um professor de teoria literária, destaco esta preciosidade de nonsense :
"De um lado, {o tema} aparece como uma sobredeterminação das desrazões dos negócios imediatos e predatórios em relação ao tempo distinto da literatura ..."
Alguém pode me explicar o que isto pode eventualmente significar?
quinta-feira, 20 de junho de 2013
J´ai plus de souvenirs
Recuperado de outro blog. Postagem de 2007
Beaudelaire é que dizia :"J´ai plus de souvenirs que si j´avais mil ans."!
Em toda honestidade, sinto um pouco de inveja das pessoas que têm uma facilidade de rememorar coisas de seu passado, e são capazes de tirar de seu baú de lembranças, detalhes que me deixam atônito. Eu, as vezes, sinto como se tenha tido uma vida quase vazia. As memórias, elas não me voltam ... é como se minha vida fosse feita muito mais de esquecimentos do que de recordações!
Sim, sim, é claro, eu sei as datas e os grandes fatos de minha vida. Mas me faltam as imagens e os sentimentos atrelados a estes fatos. Tenho fotos, sim, mas é quase como assistir a um filme, sobrando aquela sensação de "exterior" por assim dizer, não algo que brota de meu íntimo.
Me incomoda um pouco, para dizer a verdade, mas não demais. Amo a vida ... e se minha vida não tem uma grande soma de passado, que fazer? Continuar feliz sem passado, não é?
Tenho impressões difusas, mas nem por isto, menos vivazes. Por exemplo, tinha um amor todo especial pelo meu Colégio, no Egito (Collège Saint Marc). E dele, guardo a lembrança do grande respeito que eu tinha por um professor, Frère Lucien, do qual não consigo reviver nenhum traço, mas do qual recordo ser homem inteligente, íntegro e exigente que nos ensinou uma filosofia de vida impecável que me marcou até hoje e que, em tudo, nos estimulava a nos realizarmos enquanto seres humanos.
Tentei começar a escrever minha autobiografia (como um exercício psicológico) .... apenas para descobrir que era impossível alinhavar as minhas memórias.
Neste sentido, eu sei pouca coisa a meu próprio respeito. Podem ser os primórdios do Alzheimer {risos!}, mas lembro de tão poucas coisas específicas a respeito de minha vida.
Da minha infância no Egito. Tem alguns registros escolares, algumas fotos, os relatos da minha mãe (hoje falecida). Mas isto não vale, isto não é memória original própria. Sobram realmente pouquíssimas imagens, algumas sem muito importância, alguns trechos de paredes de uma casa, uma praia, um pesadelo de doença infantil, a vista da janela de uma sala de aula que dava para o mar, a lembrança de alguns amigos mas hoje sem rosto e até sem nome, coisas assim.
A viagem de navio para o Brasil, os primeiros anos no Brasil praticamente apagados. Cenas esparsas, algum ou outro amigo ou colega de trabalho ou de faculdade. Dos primeiros anos de casamento sobrou aquela sensação de muito trabalho e do estudo noturno, e da estafa permanente e o invariável estresse para equilibrar o orçamento.
Meus filhos nasceram em 1966 e 1968, anos conturbados da nossa mocidade .... mas estranhamente não consigo ligar as duas séries de coisas, a minha vida pessoal e os distúbios políticos, como se tivessem acontecido em planetas ou séculos separados.
Lembro bem de meu primeiro apartamento .... mas a casa que comprei em seguida e na qual moramos 4 anos, sumiu completamente. Passando na frente dela, ela é uma perfeita estranha, que não toca nenhuma campainha!
Viagens fiz, de que não lembro nada e olhando a foto, só posso ficar perplexo de eu estar posando na frente de um monumento ou coisa assim.
Sim, lembro de coisas, como carros, de algumas viagens, de alguns poucos episódios, de alguns amigos específicos .... mas muito, muito mesmo, simplesmente desapareceu ... é como se nunca tivesse acontecido. Mas certas coisas, banais mas poderosas, voltam .... como por exemplo, o cheirinho gostoso da madeira entalhando no pirogravo.
Hoje, a rigor, minha biografia, consistiria das coisas que penso ou sinto, muito mais do que os eventos que aconteceram comigo. Não que considero minha vida extremamente banal, tenho afortunadamente uma boa vida, mas minha vida "interna" parece tomar uma grande precedência sobre o dia-a-dia, as viagens, as festas, os eventos ...
Um evento que me marcou e que me retorna claramente ... quando era moço (fim da adolescência), escrevia bastante, havia pelo menos um caderno cheio que, um dia, num arroubo de revolta contra a vida que exigia de mim eficiência e dedicação às banalidades necessárias à sobrevivência, joguei fora. Junto com meus desenhos e pinturas que ninguém parecia apreciar, meus discos que ninguém entendia, meus livros que falavam de coisas que "não tinham rendimento econômico imediato", etc ...
Junto com este jogar fora, apaguei também as memórias daquela época e por mais que faça esforço, muito pouco volta. Foi bom por um lado, acabei me direcionando para o estudo universitário, uma carreira na indústria, um casamento sensato ... e como conseqüência, hoje tenho uma vida cômoda.
Mas joguei fora muito de minha espontaneidade, meu eu legítimo e natural, e me enquadrei em um "papel" necessário numa vida, racional, eficiente, mas talvez não totalmente marcante para se lembrar.
Felizmente que, em minha aposentadoria, consegui ressuscitar parte deste "adolescente" constrangido e hoje, faço escultura, leio sobre psicologia e religião, e escrevo. Nada que renda dinheiro mas que me faz me sentir gente. E feliz.
terça-feira, 11 de junho de 2013
O Inominável
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Nunca tinha lido nada de Samuel Beckett. Aí, peguei o livro dele, que estava no estande de sugestões da biblioteca.
Primeira surpresa : embora ele fosse irlandês, o livro foi escrito em francês. Como uma série de outros livros dele.
O título em francês, L´inominable, eu traduziria como O Inomeável, que pode não ser correto mas é mais palatável e mais fácil de ser entendido.
Aí, comecei a minha leitura. Tentei!!! O livro é algo extremamente sui-generis.
É apenas um único parágrafo de 200 pgs. Nenhuma frase tem qualquer espécie de conexão lógica com a próxima. Não tem enredo, não tem personagem, não tem nada que possa prender o leitor numa sequência de qualquer espécie. O próprio autor diz tratar-se de aporias. Parto do pressuposto que vocês não sabem o que é isto : fui ver no dicionário para descobrir que é dificuldade lógica ou dúvida retórica. Sic.
Desisti depois de verificar que o padrão se repetia ad-nauseam pelo livro inteiro.
Mas o livro foi sucesso na ocasião (1949) e foi considerado por alguns críticos como uma obra prima da literatura absurda.
Literatura, não é. Obra prima, menos ainda. Absurda, sim, em dose maciça e cavalar.
O livro deveria se chamar O Ignominiável (infame) que frequentemente vejo grafado como ignominável.
Devo tentar ler Esperando Godot, que foi outro sucesso dele? Alguém leu?
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Casamento e Amor
Citando Joseph Campbell em O Poder do Mito
"Casamento não é um caso de amor. Um caso de amor é algo inteiramente diferente. O casamento é um compromisso com aquilo que você é. Aquela pessoa {com quem você está casado} é literalmente a sua outra metade. Você e o outro são um só. Um caso de amor não é nada disso, é um relacionamento que visa ao prazer, e, quando deixa de proporcionar prazer, está acabado. Mas o casamento é um compromisso para a vida, e um compromisso para a vida significa a preocupação primordial. Quando o casamento não é uma preocupação primordial, você não está {de fato} casado."
Ou seja, casamento não é para dar prazer, mas para dar preocupação!!! Ou melhor, um monte de preocupações {sic}
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sexta-feira, 31 de maio de 2013
A segunda tentação ...
Apud Joseph Campbell - O Poder do Mito
Jesus é levado ao topo da montanha, de onde avista as nações do mundo, e o diabo lhe diz :"Tudo isto isto lhe darei, se, prostrado, me adorares"
Sabemos que Jesus não cedeu à tentação.
Mas certamente, houve outros homens que cederam.
E continuam cedendo. Afinal de contas, existe um custo para "ser um político bem-sucedido", citando Joseph Campbell.
Muita gente confunde quais sejam sejam os objetivos da política. Certamente, não é a devoção à causa pública. Ou às promessas e plataformas de campanhas.
Pois, a meta da política é a busca e a conservação do poder!
Leiam, por exemplo, Maquiavel e Bakunin.
Muita gente estranha que os políticos tenham atitudes, aparentemente, não muito éticas ou morais ... ou seja os acusam de não ser honestos.
Mas são, sim. São fieis (ou seja "honestos") à sua causa básica de busca e conservação do poder.
Há quem diga que isto é um exagero e que há, sim, alguns políticos de envergadura moral.
Nisto, sou realmente cético e um tanto descrente : acredito que existem alguns políticos mais tarimbados e experimentados que procuram e sabem disfarçar melhor. Justamente, para não prejudicar sua posição de poder.
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