quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ecologia humana ...


É revoltante o que a humanidade está fazendo com o meio ambiente. É uma questão, em parte de ignorância, mas sobretudo de ganância. O que torna isto realmente bastante estúpido ....

Contudo, ao observar que o organismo humano é maravilhosamente adaptável e tem se adequado para viver com a poluição, eu diria que existe hoje um exagêro no enfoque biológico da ecologia. Não que alguns destes problemas não sejam reais e muito sérios. E exijam a atenção de todos nós para a sobrevivência das espécies vivas.

Mas isto escurece algo fundamental que os ecologistas parecem ignorar. O verdadeiro meio ambiente humano, o mais importante, o que mais afeta o ser humano é o ambiente social.

Pior que a poluição física, é a poluição da mediocridade nos veículos de comunicação, a valoração da ignorância, a aceitação passiva das diferenças sociais massacrantes, a impunidade crescente do crime, a ambição desenfreada dos políticos, ... e outros tantes males sociais que a ecologia passa por cima, sem se dar conta que se solucionasse alguns destes males sociais, a poluição física seria automaticamente resolvida!!

Não é?

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terça-feira, 20 de maio de 2008

Sou filho do asfalto ...



Após uns dias muito agradáveis, com uma turma de amigos, em um hotel-fazenda, no sul de Minas, em um ambiente cheio de ar puro e verde .... cheguei à conclusão que, ao longo dos anos, o meu organismo se adaptou muito mais facilmente à poluição da metrópole do que meu nariz jamais se adaptará ao rastro odorífero dos cavalos nos caminhos de terra .... {risos}

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Se escrevesse ...



Se escrevesse hoje minha auto-biografia ....

Não lembro dos termos exatos da citação no começo de uma auto-biografia de Eric Hobsbawm, que diz qualquer coisa assim (traduzida nos meus termos) :


Depois de uma certa fase, nossa vida deixa de estar tão relacionada aos fatos e eventos (que nos acontecem cada vez menos e já não têm tanta importância)

e sim, passa a se compor das coisas que pensamos e sentimos (que nos acontecem cada vez mais e que passam a ocupar um espaço predominante.)


Isto reflete o que percebo que acontece comigo com uma intensidade cada dia maior. E se fosse escrever minha auto-biografia hoje, ela mostraria exatamente isto ... .

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Considerações - 5

No estado de vigília, temos uma consciência da existência e da passagem do Tempo.

O Tempo é um grande Mistério. Ninguém, no fundo, sabe o que é. Alguns religiosos dizem que ele, de fato, não existe : é apenas uma sensação nossa! Alguns psicólogos, hoje, acompanham esta tese ou defendem que não é o Tempo que passa, somos nós. Assim, como um trem na paisagem. A paisagem-"tempo" é fixa, quem passa é o trem-"nós".

Mas, admitamos, por um instante, que possamos acreditar em nossas percepções e que o Tempo exista.

Neste estado de coisas, o nosso raciocínio, que definitivamente não é instantâneo, transcorre no tempo. Assim, como algo que é finito, limitado e lento como o nosso raciocínio, pode entender algo que é infinito ou eterno? Levaria uma eternidade (seja lá o que isto for) e nossa inteligência não é eterna. É claro que não estou me referindo a entender os conceitos de infinidade ou eternidade, mas entender a "natureza" de algo que seja infinito ou eterno.

Se Deus existe, se é Infinito e Eterno - como nós, reles e limitadíssimos humanos, podemos nos dar ao luxo de acreditar que podemos entender a Natureza de Deus? (Em um paralelo muito pobre, como poderia uma formiga, por exemplo, entender as preocupações e ambições estéticas do homem?)

Para se aquilatar as limitações da inteligência, porque é disto que estamos falando, não é somente o raciocínio que devemos considerar. O que dizer então da nossa memória? Impressionante em alguns aspectos mas assim mesmo muito pequena, frágil e facilmente perdida! A verdade é que esquecemos muito mais do que lembramos!! Porque vocês acham que inventaram os blocos de anotações, agendas, livros, fotos, vídeos, etc. ...?

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terça-feira, 1 de abril de 2008

Considerações - 4


Falando justamente da confiabilidade de nossos sentidos e de nossas percepções, será que alguém percebeu qual o erro de percepção da imagem acima?

Pode até ser imaginado mas é muito difícil de "ver" diretamente e só pode ser percebido com alguma ajuda! (Dou a dica a quem pedir!)

É muito mais fácil se iludir do que parece a primeira vista.

Imaginem, então, quando se tratar não apenas de uma simples imagem em branco e preto, mas de conceitos humanos e sociais, envolvendo inúmeras variáveis!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Elucubrações -3

Estas anotações, no fundo, são para mim mesmo e podem ser meio chatinhas de se ler. Contudo, o mais importante é a frase destacada no final deste post.

A fragilidade da natureza humana.

O processo da inteligência segue um roteiro-seqüência padrão que consiste em 1. aportes sensoriais + 2. integração dos dados sensoriais como percepções + 3. raciocínio

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Os nossos sentidos

Os nossos sentidos humanos são, sem discussão, bastante elaborados. Vejamos o exemplo da audição que é capaz de localizar a direção da origem dos ruídos, em base da diferença de intensidade devida a diferença de tempo em que a onda sonora atinge os dois ouvidos. Num cálculo aproximado, meio milésimo de segundo. É espantoso que os nossos ouvidos sejam capazes desta acuidade.

Contudo, somos capazes de captar apenas uma faixa muito pequena de vibrações aéreas. Outros animais – como os cachorros - captam faixas maiores e outras formas animais como os insetos, tem através de suas antenas, uma captação "não sonora", que não conhecemos. Os peixes, por sua vez, são sensíveis às vibrações aquáticas.

A nossa visão capta ondas eletromagnéticas. Numa faixa muito, mas muito exígua. Nada de raios X, infravermelhos ou ultravioletas. Alem de uma miríade de outras faixas para as quais sequer temos nomes. Na realidade, "vemos" muito pouco do mundo à nossa volta.

O mesmo se poderia dizer do olfato que, no ser humano, é muito incipiente.

É verdade que criamos aparelhos que captam muitas destas áreas fora de nosso alcance e as convertem sob uma forma, para nós, sensível. O radar por exemplo é um excelente exemplo, como também o são o microscópio, o telescópio, etc. .... Que não deixam de ser "próteses", por assim dizer, embora não sejam propriamente portáteis!

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As nossas percepções

A percepção é basicamente a conscientização, a tomada de consciência da sensação que é proporcionada pelo estímulo captado pelos sentidos.

Parece complicado, mas não é. Os nossos ouvidos captam um ruído. Isto é levado ao "cérebro" e o nosso cérebro reconhece que existe uma sensação sendo captada e aí podemos dizer que estamos percebendo (ouvindo) um barulho.

Quando estamos dormindo, nossos ouvidos continuam captando os sons, mas a ligação com a cérebro estando desligada, na realidade, não estamos "ouvindo" nada. Isto é verdadeiro mesmo quando estamos acordados, mas estamos deveras bastante distraídos (ou altamente concentrados em outra coisa!!!) .... e do mesmo modo, não chegamos a ouvir nada. Interessante, não é? A coisa está lá, e nós não a percebemos.

Isto nos leva a uma conclusão brilhante, de ponto de vista filosófico. As coisas existem, mesmo que não as percebamos ... ou por estarmos "desligados" .... ou, o que é pior, quando não somos capazes (ou equipados) para percebê-las.

A Realidade não depende da nossa Consciência para existir.

sábado, 29 de março de 2008

Considerações - 2

Lembro de minha infância de um velho provérbio egipcio que dizia qualquer coisa assim :

"O homem sábio é aquele que morre sabendo ... que sabe muito pouco"

Pondo isto em uma linguagem moderna :

"É preciso ser suficentemente inteligente e perspipaz, para se dar conta que a inteligência, realmente, é muito limitada."