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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Memórias de Carl Jung

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Acabei de ler o livro Memórias, Sonhos e Reflexões.

É um livro multi-facetado, nem sempre fácil de ler mas muitissimo interessante (pelo menos para mim).

Uma boa parte do livro é uma espécie de auto-biografia interior, no sentido que Carl Jung descreve sua evolução interna, seu mundo de pensamento e especialmente, a formação de sua religiosidade, um fator central e capital em sua vida. {Nota-se que Jung diferenciava totalmente a "religião" de qualquer igreja ou profissão de fé}

Algo muito interessante - até intrigante para uma pessoa como eu, que dificilmente lembra de seus sonhos - é a importancia vital que Jung dava a seus sonhos. Que não somente dirigiam sua vida "espiritual" mas frequentemente orientavam suas pesquisas e seu trabalho científico.
Jung usava seus sonhos como uma fonte de informação e de conhecimento, a par de seu trabalho científico em estado de vigília.

A terminologia é as vezes um pouco pesada, como nos trechos onde comenta sobre a questão do Bem e do Mal, com considerações bastante complexas {=pg. 283 e seguintes}. Mas aparecem trechos onde Jung comenta de forma solta sobre suas viagens, em particular uma descrição bastante humorada de uma tempestade em alto mar. {Na cabine, todos os objetos tomaram vida ... um sapato que descansava no chão, levantando-se, pôs-se a olhar espantado à sua volta, para em seguida, escorregando mansamente, pôr-se debaixo do sofá; um sapato que estava levantado, acabou por deitar-se sobre um dos lados e correu ao encalço do outro sapato = pg. 316}

Mas o tom do livro, é em geral, bastante sério e profundo. E é longe de uma autobiografia comum, pois quase não refere a eventos de sua vida.

Algo muito peculiar é o seu comentário à pg. 307 onde declara que não é um "iniciado" ou um sábio. Mas é conscio de algumas características superiores. {A diferença entre a maioria dos homens e eu, reside no fato que, em mim, as "paredes divisórias" são transparentes. ... Nos outros, elas são muitas vezes tão espessas que lhes impedem a visão; eles pensam, por isso, que não há nada do outro lado.... Ignoro o que determinou a minha faculdade de perceber ... Talvez tenha sido o próprio inconsciente, talvez os meus sonhos precoces que desde o início marcaram meu caminho.}

A este respeito, e confirmando o que ele diz acima, é notável a resposta que ele deu a um entrevistador : "Você acredita em Deus?" === "Não, eu não acredito, eu SEI."